quinta-feira, 24 de julho de 2008

O que é vivo sente, ama, morre.

No mar salgado, na noite escura, na floresta nua, penumbra e medo. A barba cresce e o homem com fúria esconde o medo. Devora irmãos e amores. Sufoca o próprio coração com as duas mãos tremulas. Não sente o fogo, o frio, a fome, a dor. Apenas a ânsia de continuar caminhando e ser, alcançar o sonho, a esperança, o desejo de voltar a infância.

De olhar a olhar, de corpo a corpo lhe é negada a condição humana.Apenas falsas certezas, beijos arrogantes e no fim, uma lágrima e um fio de memória.
Ondas não são sussurros, mas gritos, não tem ódio, apenas sabe-se onda, e filha do Mar, sabe seu papel.
Se lábios como ondas aceitassem o desejo, não mais homens seriamos filhos da Fúria.

Não é fraco quem chora. Mas aquele que cala.

Ainda estamos na praia.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Gosto da noite que penetra as ruas
A multidão expremida
Suspiro gelado
Solidão

Cada quadra, cada bar
Quem estará lá?
Só tenho medo
De em uma esquina qualquer
Achar a mim mesmo
E não gostar do que ver!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Mostra-me
a luz da tua estrela mais amada
teus caminhos
dos lábios às coxas
teu segredo, teu medo
o bronze da tua escrita
o azul do teu grande mar

Mostra-me
mas não me permitas
macular tuas águas
nublar a luz de tua estrela
e tocar com as mãos sujas
de pó e fúria
o linho branco do teu ser