A casa é velha
Ela conversa com cada um de nós
As madeiras rangem
Cupins cochicham
Portas batem
Ela respira devagar
A noite aspira
O dia expira
Não há luz na casa
É casa vazia
Casa catedral
Com altar, nicho
Catacumba, vitral
Nos corredores, pó e escuridão
Muitas portas
Muitas escolhas
Madeira e mofo
Perfume de passado sem luz
Os retratos observam os visitantes
Sérios, austeros
Não vou ser retrato
Eles não envelhecem
Não morrem, não vivem
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
No principio, só um Ventoverbo
Uma vontade condensada
Toma forma e conteúdo
Como beijo, a palavra estala no tímpano
Tem cor, cheiro, sabor
A palavra é maciça
Torna-se companheira, amiga, amante
Íntima e cruelmente verdadeira
Acaricia o ouvido, morde o lábio
Entrelaça-se na língua
Deitada sobre o lençol branco
A silhueta nua não possui segredos
E irremediavelmente apaixonados
Nos entregamos aos caprichos da palavra
Uma vontade condensada
Toma forma e conteúdo
Como beijo, a palavra estala no tímpano
Tem cor, cheiro, sabor
A palavra é maciça
Torna-se companheira, amiga, amante
Íntima e cruelmente verdadeira
Acaricia o ouvido, morde o lábio
Entrelaça-se na língua
Deitada sobre o lençol branco
A silhueta nua não possui segredos
E irremediavelmente apaixonados
Nos entregamos aos caprichos da palavra
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Com a caneta em guarda
Fico tamborilando a impaciência
Sobre a mesa
O gato ronrona, espreguiça
Provoca enroscando-se nas pernas
A poesia não nasce
Não cresce, fica a se revolver no ventre
Será que já é tempo?
O que é o tempo?
O tic-Tac do relógio?
Não, o tempo é como poesia
Do caldo metafisico cristalizado
Ela nasce
De cada gota de areia
Cada grão de chuva
Vontade adormecida
Vento estático
Verso errático
Inércia na tempestade
Fico tamborilando a impaciência
Sobre a mesa
O gato ronrona, espreguiça
Provoca enroscando-se nas pernas
A poesia não nasce
Não cresce, fica a se revolver no ventre
Será que já é tempo?
O que é o tempo?
O tic-Tac do relógio?
Não, o tempo é como poesia
Do caldo metafisico cristalizado
Ela nasce
De cada gota de areia
Cada grão de chuva
Vontade adormecida
Vento estático
Verso errático
Inércia na tempestade
A luz espessa das calçadas
Embala frios conceitos etílicos
Agarrados a sobriedade das filosofias
Passantes são como fogo-fátuo
Momentos do acaso
Acadêmicas ilusões sisudas
Kant, Descartes, Nietzsche
Friamente já os li
Prefiro o calor primitivo da ancestralidade
Xângo, Oxalá
Ogum, Oxum
Embalam-me no ponto cantado
No ponto firmado
No ritmo do atabaque
Papéis amarelos não tem vida
E as pretenças equações do acaso
Deixo aos matemáticos
Embala frios conceitos etílicos
Agarrados a sobriedade das filosofias
Passantes são como fogo-fátuo
Momentos do acaso
Acadêmicas ilusões sisudas
Kant, Descartes, Nietzsche
Friamente já os li
Prefiro o calor primitivo da ancestralidade
Xângo, Oxalá
Ogum, Oxum
Embalam-me no ponto cantado
No ponto firmado
No ritmo do atabaque
Papéis amarelos não tem vida
E as pretenças equações do acaso
Deixo aos matemáticos
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
A tempestade desconjunta o espaço
Sacode vidros, atravessa frestas
Carrega pó, água, aço
O quarto é ventre em gestação
Sobre a cama morno silêncio
As linhas de rósea pele madura
São curvilíneas imperfeitas
Que exalam perfume de menina
Na manhã quente a chuva cai fina
Mas no final do arco-íris não há pote de ouro
Apenas uma Gota de Orvalho
Sacode vidros, atravessa frestas
Carrega pó, água, aço
O quarto é ventre em gestação
Sobre a cama morno silêncio
As linhas de rósea pele madura
São curvilíneas imperfeitas
Que exalam perfume de menina
Na manhã quente a chuva cai fina
Mas no final do arco-íris não há pote de ouro
Apenas uma Gota de Orvalho
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