quinta-feira, 29 de maio de 2008

sinto cada veia, cada artéria
O coração bate rebate
O sangue corre apressado
Eu, deitado, nu, sobre a grama macia
Chuva caí sobre mim
O cão ladra ao meu ouvido
O gato ronrona sobre as pernas
Novamente, seis horas
A chuva para, o corvo grasna
Céu carregado
Laranja crepuscular
Céu lembra-me Mar
Invertido
Mar alto, alto mar.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

... à luz de discursos inflamados
apaga-se o eco de vozes distantes
Um señor muy viejo habla con los guajiros...
Queria eu, com um gesto, enfiar a mão no teu peito, arrancar a dor que te dilacera. Varrer toda sujeira do mundo pra baixo do tapete. Te pegar no colo, contar histórias de Grécia, colibris, joaninhas, gnomos da floresta. E cantarolando, assim baixinho te fazer dormir, sem medo, sem lágrimas. Apenas teus Suspiros de Borboleta.
Observo a tempestade
uma foto tua.
Envolta nos acordes
a pergunta lateja.
O que é a Saudade?

Chuva na vidraça,
rosa amarela
molhada no jardim.
Entardecer no lago
sinfônia do vento na água.

A saudade é o lado vazio na cama,
e o perfume que não sai dos lençóis.
O sol se põe, dorme
morre, vive?
um dia de cada vez
apaga-se no lago
cochicha-me ao ouvido
desperta-me da ânsia de viver o todo
a melodia das águas afaga-me
são mãos de mãe
lábios de moça
pedras negras sobre areia branca.

sábado, 17 de maio de 2008

Por entre pássaros azuis, flores amarelas e o planar de morcegos, escalo antigos rochedos.Evito conceitos... verdades. Liso e escorregadio musgo. Alço a mais alta caverna. Pairam nuvens de cigarros, perfume de menina, incenso, alecrim. Momentos de Paz, dez anos de Guerra. Elmo e couraça deixo com os guarda-chuvas, o fuzil junto às vassouras. E já livre do peso do bronze. Não sou mais Aquiles ou Ulisses. Não tenho Ítaca para retornar.
O rio tem muitas vozes
fala alto descontraído
grita desesperado
cambaleante no turbilhão
sussurra gemidos
nos beija o corpo
seduz com sua nudez
muda de sexo a cada queda
nascente rio cascata delta
menina mulher mãe amante
pai delicado filho bravo da terra
Penetramos a noite
solitários
cada passo deflora a mata

canções fumaça
a névoa flutua
com sabor amargo

sonhamos acordados
nas chamas salamandras
nos transportam para longe

sorrisos provocam lábios
abraços, o toque à pele
beijos saudam desejos

segunda-feira, 12 de maio de 2008

"Les certitudes rendent les hommes aveugles et fous.
Elles peuvert dévorer leur cour et les changer en Bête."
Le Pacte des Loups - Christophe Gans - 2001
O besouro pousa no umbigo
escala a barriga
tateando as cegas
contorna os pêlos
zunindo
balançando as antenas
sob o peito
para
observa a vista
tal um pôr do sol
atinge a garganta
arranha com as pequenas garras
a jugular
momento de tensão
beira o abismo da boca
contorna
quase caí sobre a língua
com um sopro
o atiro no chão.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Para..., eu disse, para de filtrar a luz da janela com as mãos!
Não vou viver no teu mundo de sombras na parede.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

A tarde é fria
Caminho sob o céu cinza, cinza chumbo
A rua é cinza, cinza escuro
As pessoas...cinza tudo!
Às margens do lago
Me ajoelho sobre a linha d'agua
Sinto o gelo subir pelas pernas
Vejo no horizonte uma nódoa alaranjada
Nem tudo é tão Cinza.