Ela penetra
gota a gota
está em nós
como a ansiedade
por um instantâneo
preto e branco
não há muito tempo
e o relógio anda rápido
a Morte
é uma janela negra
do outro lado da Rua
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Fadas da Noite
Belos são seus olhos emoldurados e lábios de fruta madura
Ainda menina, pura, aspira fumaça, expira sereno
Do corpo, perfume de madrugada e mel moreno
É pluma no vento, escapa por entre os dedos
Lança para traz um sorriso
Se desfaz na multidão levando meus medos.
Ainda menina, pura, aspira fumaça, expira sereno
Do corpo, perfume de madrugada e mel moreno
É pluma no vento, escapa por entre os dedos
Lança para traz um sorriso
Se desfaz na multidão levando meus medos.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Perdi minha verdade
Na Luz de um farol apagado
No vôo de um pássaro morto
Antes eu era luz
Brilho de rosas e neve
Terra molhada, fruta no pomar
Era algodão e alfazema.
Mas a ressaca do mundo
Me fez rocha
Hoje sou lama, areia e pó
Circulo de fogo
Homem sem bandeira.
Como pluma encarnada no vento
não tenho rumo, nem força
Mas levo o Rubro onde for!
Na Luz de um farol apagado
No vôo de um pássaro morto
Antes eu era luz
Brilho de rosas e neve
Terra molhada, fruta no pomar
Era algodão e alfazema.
Mas a ressaca do mundo
Me fez rocha
Hoje sou lama, areia e pó
Circulo de fogo
Homem sem bandeira.
Como pluma encarnada no vento
não tenho rumo, nem força
Mas levo o Rubro onde for!
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
quinta-feira, 24 de julho de 2008
O que é vivo sente, ama, morre.
No mar salgado, na noite escura, na floresta nua, penumbra e medo. A barba cresce e o homem com fúria esconde o medo. Devora irmãos e amores. Sufoca o próprio coração com as duas mãos tremulas. Não sente o fogo, o frio, a fome, a dor. Apenas a ânsia de continuar caminhando e ser, alcançar o sonho, a esperança, o desejo de voltar a infância.
De olhar a olhar, de corpo a corpo lhe é negada a condição humana.Apenas falsas certezas, beijos arrogantes e no fim, uma lágrima e um fio de memória.
Ondas não são sussurros, mas gritos, não tem ódio, apenas sabe-se onda, e filha do Mar, sabe seu papel.
Se lábios como ondas aceitassem o desejo, não mais homens seriamos filhos da Fúria.
Não é fraco quem chora. Mas aquele que cala.
Ainda estamos na praia.
No mar salgado, na noite escura, na floresta nua, penumbra e medo. A barba cresce e o homem com fúria esconde o medo. Devora irmãos e amores. Sufoca o próprio coração com as duas mãos tremulas. Não sente o fogo, o frio, a fome, a dor. Apenas a ânsia de continuar caminhando e ser, alcançar o sonho, a esperança, o desejo de voltar a infância.
De olhar a olhar, de corpo a corpo lhe é negada a condição humana.Apenas falsas certezas, beijos arrogantes e no fim, uma lágrima e um fio de memória.
Ondas não são sussurros, mas gritos, não tem ódio, apenas sabe-se onda, e filha do Mar, sabe seu papel.
Se lábios como ondas aceitassem o desejo, não mais homens seriamos filhos da Fúria.
Não é fraco quem chora. Mas aquele que cala.
Ainda estamos na praia.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
terça-feira, 1 de julho de 2008
quinta-feira, 29 de maio de 2008
sinto cada veia, cada artéria
O coração bate rebate
O sangue corre apressado
Eu, deitado, nu, sobre a grama macia
Chuva caí sobre mim
O cão ladra ao meu ouvido
O gato ronrona sobre as pernas
Novamente, seis horas
A chuva para, o corvo grasna
Céu carregado
Laranja crepuscular
Céu lembra-me Mar
Invertido
Mar alto, alto mar.
O coração bate rebate
O sangue corre apressado
Eu, deitado, nu, sobre a grama macia
Chuva caí sobre mim
O cão ladra ao meu ouvido
O gato ronrona sobre as pernas
Novamente, seis horas
A chuva para, o corvo grasna
Céu carregado
Laranja crepuscular
Céu lembra-me Mar
Invertido
Mar alto, alto mar.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Queria eu, com um gesto, enfiar a mão no teu peito, arrancar a dor que te dilacera. Varrer toda sujeira do mundo pra baixo do tapete. Te pegar no colo, contar histórias de Grécia, colibris, joaninhas, gnomos da floresta. E cantarolando, assim baixinho te fazer dormir, sem medo, sem lágrimas. Apenas teus Suspiros de Borboleta.
sábado, 17 de maio de 2008
Por entre pássaros azuis, flores amarelas e o planar de morcegos, escalo antigos rochedos.Evito conceitos... verdades. Liso e escorregadio musgo. Alço a mais alta caverna. Pairam nuvens de cigarros, perfume de menina, incenso, alecrim. Momentos de Paz, dez anos de Guerra. Elmo e couraça deixo com os guarda-chuvas, o fuzil junto às vassouras. E já livre do peso do bronze. Não sou mais Aquiles ou Ulisses. Não tenho Ítaca para retornar.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
O besouro pousa no umbigo
escala a barriga
tateando as cegas
contorna os pêlos
zunindo
balançando as antenas
sob o peito
para
observa a vista
tal um pôr do sol
atinge a garganta
arranha com as pequenas garras
a jugular
momento de tensão
beira o abismo da boca
contorna
quase caí sobre a língua
com um sopro
o atiro no chão.
escala a barriga
tateando as cegas
contorna os pêlos
zunindo
balançando as antenas
sob o peito
para
observa a vista
tal um pôr do sol
atinge a garganta
arranha com as pequenas garras
a jugular
momento de tensão
beira o abismo da boca
contorna
quase caí sobre a língua
com um sopro
o atiro no chão.
terça-feira, 6 de maio de 2008
sexta-feira, 2 de maio de 2008
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Guardar na memória cada momento,
Cada abraço, toque, beijo, desejo...
Talvez o último!
O olhar do Pai, da Mãe, da Avó.
Um afago pausado na face amada.
Um instante a se guardar...
Talvez o último!
saber que a cada momento perdido,
Cada espera ou encontro adiado, pode sim...
Ser o último!
A Dama Branca ronda,
Sussura à concha do ouvido,
Com mais desejo por aqueles que Vivem,
Com mais fúria por aqueles que Amam!
Cada abraço, toque, beijo, desejo...
Talvez o último!
O olhar do Pai, da Mãe, da Avó.
Um afago pausado na face amada.
Um instante a se guardar...
Talvez o último!
saber que a cada momento perdido,
Cada espera ou encontro adiado, pode sim...
Ser o último!
A Dama Branca ronda,
Sussura à concha do ouvido,
Com mais desejo por aqueles que Vivem,
Com mais fúria por aqueles que Amam!
terça-feira, 1 de abril de 2008
"E se...", a expressão mais cruel de nossa língua...
Não há em forma alguma, ilusão tão sombria.
Curvados sobre nosso próprio passado tecemos possibilidades, com um masoquismo desenfreado...
"E se...", tudo poderia ser diferente.
"E se...", eu não me arrependeria tanto.
Mudar o passado, criar o futuro.
Em nossa vida só há dois dias em que somos incapazes de mudar:Ontem e Amanhã.
Não há em forma alguma, ilusão tão sombria.
Curvados sobre nosso próprio passado tecemos possibilidades, com um masoquismo desenfreado...
"E se...", tudo poderia ser diferente.
"E se...", eu não me arrependeria tanto.
Mudar o passado, criar o futuro.
Em nossa vida só há dois dias em que somos incapazes de mudar:Ontem e Amanhã.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Revolvendo a bruma da lembrança
Trago de volta madrugada de afagos
Sopro brasas, folho memórias
E esbarro no teu perfume delicado
Chuva fria, beija-me o corpo!
Envolve-me em âncias e frêmitos!
Desejo teu gosto, teu cheiro,
O sabor dos teus seios
Desejo com a serpente da minha boca
Sugar o mel da tua boca
E das caricias dos teus lábios
Do contorno da tua língua
Arrancar o suspiro mais profundo
Com lascivo desespero de um desejo infecundo.
Trago de volta madrugada de afagos
Sopro brasas, folho memórias
E esbarro no teu perfume delicado
Chuva fria, beija-me o corpo!
Envolve-me em âncias e frêmitos!
Desejo teu gosto, teu cheiro,
O sabor dos teus seios
Desejo com a serpente da minha boca
Sugar o mel da tua boca
E das caricias dos teus lábios
Do contorno da tua língua
Arrancar o suspiro mais profundo
Com lascivo desespero de um desejo infecundo.
Meus olhares sempre silenciosos
percorriam tua figura
em busca de uma incoerência altiva
um espasmo de incerteza,
algo que te fizesse fraca.
Te observava enquanto cochilava na banheira,
arrumava o cabelo ou semi-nua lia sentada na varanda.
Certa vez te olhava enquanto tomava café
mexia a colher mirando o nada.
Derrepente esboçou um sorriso com o canto da boca.
Olhei para a direita e percebi,
eras tu que me olhava através do espelho.
percorriam tua figura
em busca de uma incoerência altiva
um espasmo de incerteza,
algo que te fizesse fraca.
Te observava enquanto cochilava na banheira,
arrumava o cabelo ou semi-nua lia sentada na varanda.
Certa vez te olhava enquanto tomava café
mexia a colher mirando o nada.
Derrepente esboçou um sorriso com o canto da boca.
Olhei para a direita e percebi,
eras tu que me olhava através do espelho.
Foi Sangrenta - Pablo Neruda
Foi sangrenta toda terra do homem.
Tempo, edificações, rotas, chuva,
apagam as constelações do crime,
o certo é que um planeta tão pequeno
foi mil vezes coberto pelo sangue,
guerra ou vingança, armadilha ou batalha,
caíram homens, foram devorados,
depois o esquecimento foi limpando
cada metro quadrado: alguma vez
um monumento mentiroso,
às vezes uma cláusula de bronze,
depois conversações, nascimentos,
municipalidades, e o esquecimento.
Que arte temos para o extermínio
e que ciência para extirpar lembranças!
Está florido o que foi sangrento.
Preparar-se, rapazes,
para matar, morrer de novo,
e cobrir com flores o sangue.
Tempo, edificações, rotas, chuva,
apagam as constelações do crime,
o certo é que um planeta tão pequeno
foi mil vezes coberto pelo sangue,
guerra ou vingança, armadilha ou batalha,
caíram homens, foram devorados,
depois o esquecimento foi limpando
cada metro quadrado: alguma vez
um monumento mentiroso,
às vezes uma cláusula de bronze,
depois conversações, nascimentos,
municipalidades, e o esquecimento.
Que arte temos para o extermínio
e que ciência para extirpar lembranças!
Está florido o que foi sangrento.
Preparar-se, rapazes,
para matar, morrer de novo,
e cobrir com flores o sangue.
sexta-feira, 7 de março de 2008
Como pássaro, vôo contra o vento
Estou pleno de desejos, alegrias
Fúrias, medos
As perguntas não faço
Deixo que se construam
Não aparo a chuva
Observo as gotas caírem
Não a beijo
Que nossos lábios se fundam à vontade das águas
Que nossos corpos se toquem ao estalar das chamas
Bebo todo o café
Como toda a carne
Embriago-me a cada verso
E no seu sono
Contemplo a imagem do silêncio
Estou pleno de desejos, alegrias
Fúrias, medos
As perguntas não faço
Deixo que se construam
Não aparo a chuva
Observo as gotas caírem
Não a beijo
Que nossos lábios se fundam à vontade das águas
Que nossos corpos se toquem ao estalar das chamas
Bebo todo o café
Como toda a carne
Embriago-me a cada verso
E no seu sono
Contemplo a imagem do silêncio
Não vejo nada
Meus olhos?
Gastaram-se sobre versos ásperos e palavras duras
Secos, pelo pó das estantes
Paladar, olfato
Tomados pelo mofo da sala
Me curvo sobre as páginas
Perdido no contorno de cada letra
Labirinto
Cela sem grade
Um eterno buscar e fugir
A clausura me sufoca!
Quero conversar com pessoas
Abraçar amigos
Ver sorrisos sob olhos verdes
Achar alguém para dividir o gozo
Tropeço até a porta
O ar gelado da noite é um tapa na cara
E o vento um perfume
Meus olhos?
Gastaram-se sobre versos ásperos e palavras duras
Secos, pelo pó das estantes
Paladar, olfato
Tomados pelo mofo da sala
Me curvo sobre as páginas
Perdido no contorno de cada letra
Labirinto
Cela sem grade
Um eterno buscar e fugir
A clausura me sufoca!
Quero conversar com pessoas
Abraçar amigos
Ver sorrisos sob olhos verdes
Achar alguém para dividir o gozo
Tropeço até a porta
O ar gelado da noite é um tapa na cara
E o vento um perfume
Ele morreu, morreu de amor antigo. Andava pela rua quando foi atingido. O primeiro lhe perfurou o tímpano. O segundo, em cheio no coração. Rodopiou sobre as pernas, emborcou, estatelando-se no chão.
Alguém gritou: - Bala Perdida!
Antes fosse, não teria doido tanto. Mais certo que bala, palavra. Em rajadas, verso. Palavra perdida, que sem o alvo não encontrou saída. E mortal verso, sem lugar definido, tornou-se um solitário verso.
Verso de amor perdido.
Alguém gritou: - Bala Perdida!
Antes fosse, não teria doido tanto. Mais certo que bala, palavra. Em rajadas, verso. Palavra perdida, que sem o alvo não encontrou saída. E mortal verso, sem lugar definido, tornou-se um solitário verso.
Verso de amor perdido.
quinta-feira, 6 de março de 2008
A chuva cai, o vento corta pelo lado
Desabafo das nuvens
Suspiro gelado
O céu, um sombrio alaranjado perfeito
Salpicado por véus de algodão
Escuta!
O farfalhar das árvores
O gotejar das folhas
Cada passo estala no tímpano
O asfalto, um rio negro estático
Fecho os olhos
Pé ante pé
Recordo tudo que foi deixado
O corpo molhado, derrotado
Carrega a Saudade
Palavra limpa em alma suja
Desabafo das nuvens
Suspiro gelado
O céu, um sombrio alaranjado perfeito
Salpicado por véus de algodão
Escuta!
O farfalhar das árvores
O gotejar das folhas
Cada passo estala no tímpano
O asfalto, um rio negro estático
Fecho os olhos
Pé ante pé
Recordo tudo que foi deixado
O corpo molhado, derrotado
Carrega a Saudade
Palavra limpa em alma suja
segunda-feira, 3 de março de 2008
Sarau noturno
Gatos no telhado
Os cães protestam
O vento consente
Vozes e motores à distância
No quarto
Capela íntima do corpo
Só o relógio esforça-se em criar o tempo
Dar sentido ao espaço
Sentado na cama
Ignoro o tic-tac
Tricoto cada fio de lembrança
Nesta faina nem teu cheiro me escapa
E da tua boca
Cada sorriso é uma saudade
Gatos no telhado
Os cães protestam
O vento consente
Vozes e motores à distância
No quarto
Capela íntima do corpo
Só o relógio esforça-se em criar o tempo
Dar sentido ao espaço
Sentado na cama
Ignoro o tic-tac
Tricoto cada fio de lembrança
Nesta faina nem teu cheiro me escapa
E da tua boca
Cada sorriso é uma saudade
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
A casa é velha
Ela conversa com cada um de nós
As madeiras rangem
Cupins cochicham
Portas batem
Ela respira devagar
A noite aspira
O dia expira
Não há luz na casa
É casa vazia
Casa catedral
Com altar, nicho
Catacumba, vitral
Nos corredores, pó e escuridão
Muitas portas
Muitas escolhas
Madeira e mofo
Perfume de passado sem luz
Os retratos observam os visitantes
Sérios, austeros
Não vou ser retrato
Eles não envelhecem
Não morrem, não vivem
Ela conversa com cada um de nós
As madeiras rangem
Cupins cochicham
Portas batem
Ela respira devagar
A noite aspira
O dia expira
Não há luz na casa
É casa vazia
Casa catedral
Com altar, nicho
Catacumba, vitral
Nos corredores, pó e escuridão
Muitas portas
Muitas escolhas
Madeira e mofo
Perfume de passado sem luz
Os retratos observam os visitantes
Sérios, austeros
Não vou ser retrato
Eles não envelhecem
Não morrem, não vivem
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
No principio, só um Ventoverbo
Uma vontade condensada
Toma forma e conteúdo
Como beijo, a palavra estala no tímpano
Tem cor, cheiro, sabor
A palavra é maciça
Torna-se companheira, amiga, amante
Íntima e cruelmente verdadeira
Acaricia o ouvido, morde o lábio
Entrelaça-se na língua
Deitada sobre o lençol branco
A silhueta nua não possui segredos
E irremediavelmente apaixonados
Nos entregamos aos caprichos da palavra
Uma vontade condensada
Toma forma e conteúdo
Como beijo, a palavra estala no tímpano
Tem cor, cheiro, sabor
A palavra é maciça
Torna-se companheira, amiga, amante
Íntima e cruelmente verdadeira
Acaricia o ouvido, morde o lábio
Entrelaça-se na língua
Deitada sobre o lençol branco
A silhueta nua não possui segredos
E irremediavelmente apaixonados
Nos entregamos aos caprichos da palavra
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Com a caneta em guarda
Fico tamborilando a impaciência
Sobre a mesa
O gato ronrona, espreguiça
Provoca enroscando-se nas pernas
A poesia não nasce
Não cresce, fica a se revolver no ventre
Será que já é tempo?
O que é o tempo?
O tic-Tac do relógio?
Não, o tempo é como poesia
Do caldo metafisico cristalizado
Ela nasce
De cada gota de areia
Cada grão de chuva
Vontade adormecida
Vento estático
Verso errático
Inércia na tempestade
Fico tamborilando a impaciência
Sobre a mesa
O gato ronrona, espreguiça
Provoca enroscando-se nas pernas
A poesia não nasce
Não cresce, fica a se revolver no ventre
Será que já é tempo?
O que é o tempo?
O tic-Tac do relógio?
Não, o tempo é como poesia
Do caldo metafisico cristalizado
Ela nasce
De cada gota de areia
Cada grão de chuva
Vontade adormecida
Vento estático
Verso errático
Inércia na tempestade
A luz espessa das calçadas
Embala frios conceitos etílicos
Agarrados a sobriedade das filosofias
Passantes são como fogo-fátuo
Momentos do acaso
Acadêmicas ilusões sisudas
Kant, Descartes, Nietzsche
Friamente já os li
Prefiro o calor primitivo da ancestralidade
Xângo, Oxalá
Ogum, Oxum
Embalam-me no ponto cantado
No ponto firmado
No ritmo do atabaque
Papéis amarelos não tem vida
E as pretenças equações do acaso
Deixo aos matemáticos
Embala frios conceitos etílicos
Agarrados a sobriedade das filosofias
Passantes são como fogo-fátuo
Momentos do acaso
Acadêmicas ilusões sisudas
Kant, Descartes, Nietzsche
Friamente já os li
Prefiro o calor primitivo da ancestralidade
Xângo, Oxalá
Ogum, Oxum
Embalam-me no ponto cantado
No ponto firmado
No ritmo do atabaque
Papéis amarelos não tem vida
E as pretenças equações do acaso
Deixo aos matemáticos
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
A tempestade desconjunta o espaço
Sacode vidros, atravessa frestas
Carrega pó, água, aço
O quarto é ventre em gestação
Sobre a cama morno silêncio
As linhas de rósea pele madura
São curvilíneas imperfeitas
Que exalam perfume de menina
Na manhã quente a chuva cai fina
Mas no final do arco-íris não há pote de ouro
Apenas uma Gota de Orvalho
Sacode vidros, atravessa frestas
Carrega pó, água, aço
O quarto é ventre em gestação
Sobre a cama morno silêncio
As linhas de rósea pele madura
São curvilíneas imperfeitas
Que exalam perfume de menina
Na manhã quente a chuva cai fina
Mas no final do arco-íris não há pote de ouro
Apenas uma Gota de Orvalho
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