sexta-feira, 7 de março de 2008

Não vejo nada
Meus olhos?
Gastaram-se sobre versos ásperos e palavras duras
Secos, pelo pó das estantes
Paladar, olfato
Tomados pelo mofo da sala
Me curvo sobre as páginas
Perdido no contorno de cada letra
Labirinto
Cela sem grade
Um eterno buscar e fugir
A clausura me sufoca!
Quero conversar com pessoas
Abraçar amigos
Ver sorrisos sob olhos verdes
Achar alguém para dividir o gozo
Tropeço até a porta
O ar gelado da noite é um tapa na cara
E o vento um perfume

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